1. CUIDAR E EDUCAR – UMA NECESSIDADE ESCOLAR
Para se falar em educação, seja qual for o assunto, nessa pesquisa achei interessante começar esboçando aqui, algumas pessoas que se destacaram por seu trabalho, principalmente na área infantil que é o nosso caso. Assim sendo, nos reportaremos conhecendo um pouco desse trabalho
Em seu trabalho, Froebel afirma em sua obra A educação do homem ( 1826 ) que "a educação é o processo pelo qual o indivíduo desenvolve a condição humana autoconsciente, com todos os seus poderes funcionando completa e harmoniosamente, em relação à natureza e à sociedade. Além do mais, era o mesmo processo pelo qual a humanidade, como um todo, originariamente se elevara acima do plano animal e continuara a se desenvolver até a sua condição atual. Implica tanto a evolução individual quanto a universal".Esse conceito de parte-todo foi um dos mais bem desenvolvidos por Froebel. Cada objeto é parte de algo mais geral e é também uma unidade, se for considerado em relação a si mesmo. No campo das relações humanas, o indivíduo é, para ele, uma unidade, quando considerado em si mesmo, mas mantém uma relação com o todo, isto é, incorpora-se a outros homens para atingir certos objetivos.
Principais concepções educacionais:
A educação deve basear-se na evolução natural das atividades da criança. O objetivo do ensino é sempre extrair mais do homem do que colocar mais e mais dentro dele. A criança não deve ser iniciada em nenhum novo assunto enquanto não estiver madura para ele. O verdadeiro desenvolvimento advém de atividades espontâneas.
Na educação inicial da criança o brinquedo é um processo essencial. Os currículos das escolas devem basear-se nas atividades e interesses de cada fase da vida da criança.
A grande tarefa da educação consiste em ajudar o homem a conhecer a si próprio, a viver em paz com a natureza e em união com Deus. É o que ele chamou de educação integral. Sua concepção de ser humano era profundamente religiosa.
Sua proposta pode ser caracterizada como um "currículo por atividades", no qual o caráter lúdico é o fator determinante da aprendizagem das crianças.Entende a educação como suporte no processo de apropriação do mundo pelo homem, é um modelo de educação esférica, onde os alunos aprendem em contato com o real, com as coisas em sua volta, com os objetos de aprendizagem. A Matemática só é entendida quando o sujeito for capaz de estruturar a realidade.Uma das melhores idéias com que Frobel contribuiu para a Pedagogia moderna foi a de que o ser humano é essencialmente dinâmico e produtivo, e não meramente receptivo. O homem é uma força auto-geradora e não uma esponja que absorve conhecimento do exterior.
Outro grande pesquisador do conhecimento humano foi o sueco Jean Piaget (1896-1980), que muito contribuiu para a realidade das escolas atuais.
Uma escola que se diz fundamentada na teoria de Jean Piaget, deve ter sua prática pedagógica, orientada por alguns princípios básicos:
Ø Ação- as crianças conhecem os objetos usando-os. Um esquema é aplicado a vários objetos e vários esquemas são aplicados a vários objetos.
Ø Representação- toda atividade deve ser representada, de modo a permitir que a criança manifeste o seu simbolismo.
Ø Atividades Grupais- o desenvolvimento da criança acontece no contato e na interação com outras crianças, daí a necessidade da promoção de atividades em grupo. Não se trata aqui da concepção comum do trabalho em grupo (que a escola interpretou como um grupo de alunos obrigados a trabalhar em conjunto). Piaget pressupõe que o grupo se forme espontaneamente e que o tema pesquisado seja com um verdadeiro problema do grupo. Cabe ao professor criar as situações problemáticas, mais nunca impor um tema.
Ø Organização- é adquirida através da atividade. É fazendo a atividade que a criança se organiza.
Ø Professor Problematizador- o professor é o desafiador da criança, ele cria dificuldades e problemas. Em escolas com essa fundamentação, a pré-escola não é um passatempo, e sim, um espaço que permite a diversificação e ampliação das experiências das crianças, promovendo a sua autonomia.
Ø Áreas do conhecimento humano- no currículo da pré-escola de orientação fundada nas TEORIAS PIAGETINAS, as diferentes áreas dos conhecimentos são integradas. O eixo central deste currículo são as atividades. Segundo Schliemann (1992) in Novas Contribuições da Psicologia aos processos de Ensino-Aprendizagem- Cortez editora, entre os princípios recomendados por Piaget para a educação matemática tem-se que’’... a criança é sempre mais capaz de compreender e fazer na ação do que de expressar verbalmente e conscientemente os princípios nos quais se baseiam suas ações...’’.
Para Vygotsky, Existem pelo menos dois níveis de desenvolvimento: um real, já adquirido ou formando, que determina o que a criança já é capaz de fazer por si própria, e um potencial, ou seja, a capacidade de aprender com outra pessoa.
A aprendizagem interage com o desenvolvimento, produzindo a abertura nas zonas de desenvolvimento proximal (distância entre aquilo que a criança faz sozinha e o que ela é capaz de fazer com a intervenção de um adulto; potencialidade para aprender, que não é a mesma para todas as pessoas; ou seja, distancia entre o nível de desenvolvimento real e o potencial) nas quais interações sociais são centrais, estando então, ambos os processos, aprendizagens e desenvolvimento, inter-relacionados; assim um conceito que se pretenda trabalhar, como por exemplo, em matemática, requer sempre um grau de experiência anterior para a criança.
O desenvolvimento cognitivo e produzido pelo processo de internalização da interação social com materiais fornecidos pela cultura, sendo que o processo se constrói de fora para dentro. Para Vygotsky, a atividade do sujeito refere-se ao domínio dos instrumentos de mediação, inclusive sua transformação por uma atividade mental. Para ele, o sujeito não e apenas ativo, mas interativo, porque forma conhecimentos e se constitui a partir de relações intra e interpessoais.
É na troca com outros sujeitos e consigo próprio que se vão internalizando conhecimentos, papeis e funções sociais, o que permite a formação de conhecimentos e da própria consciência. Trata-se de um processo que caminha do plano social – relações interpessoais – para o plano individual interno – relações intra – pessoal. Assim, a escola é o lugar onde a intervenção pedagógica intencional desencadeia o processo ensino – aprendizagem. O professor tem papel explicito de interferir no processo, diferentemente de situações informais nas quais a criança aprende por imersão em um ambiente cultural. Portanto, é papel do docente provocar avanços nos alunos e isso se torna possível com sua interferência na zona proximal. Vemos ainda como fator relevante para a educação, decorrente das interpretações das teorias de Vygotsky, a importância da atuação dos outros membros do grupo social na mediação entre a cultura e o individuo, pois uma intervenção deliberada desses membros da cultura, nessa perspectiva, essencial no processo de desenvolvimento. Isso nos mostra os processos pedagógicos como intencionais, deliberados, sendo o objetivo dessa intervenção: a construção de conceitos. O aluno não e tão somente o sujeito da aprendizagem, mas, aquele que aprende junto ao outro o que o seu grupo social produz, tais como: valores, linguagem e o próprio conhecimento. A formação de conceitos espontâneos ou cotidianos desenvolvidos no decorrer das interações sociais diferencia-se dos conceitos científicos adquiridos pelo ensino, parte de um sistema organizado de conhecimento.
A aprendizagem e fundamental ao desenvolvimento dos processos internos na interação com outras pessoas. Ao observar a zona proximal, o educador pode orientar o aprendizado no sentido de adiantar o desenvolvimento potencial de uma criança, tornando-o real. Nesse ínterim, o ensino deve passar do grupo para o individuo. Em outras palavras, o ambiente influenciaria a internalização das atividades cognitivas no individuo, de modo que, o aprendizado gere o desenvolvimento. Portanto, o desenvolvimento mental só pode realizar-se por intermédio do aprendizado.
2. RELATÓRIO DA ENTREVISTA COM EDUCADORES A RESPEITO DO CUIDAR E EDUCAR
Para evitar maiores transtornos, optei por denominar as educadoras entrevistadas de professora A e professora B. são duas pessoas que trabalham na Educação Infantil a mais de 10 anos numa pequena cidade do interior de Goiás.
Quando questionadas como elas trabalhavam a Educação Infantil, ou mais precisamente, como elas lidavam diante do desafio, cuidar e educar crianças nas séries iniciais, creches ou pré-escolas, a resposta foi bem parecida, ou seja, mudaram-se as palavras, porém, o contexto foi o mesmo, no meu entender.
As educadoras responderam que o trabalho é muito simples, tudo partia do principio da necessidade de cada uma. “cada criança é diferente uma da outra, então, fica fácil trabalhar à medida que se conhece cada uma”. A professora B afirmou que o trabalho é feito em conjunto com os pais que acompanham o desenvolvimento dos seus filhos e vai passando para a educadora cada transformação sentida em casa. Para ela, fica mais fácil este contato com os pais, pois, facilita na identificação das necessidades das crianças, conhece-os melhor, é como se ela se tornasse parte da família, compartilhando os seus problemas e suas aventuras. Diz a professora: “Quando tenho que pegar uma criança e levar ao banheiro, estou transmitindo a ela uma segurança que até então ela só sentia na presença da mãe. Eu não estou substituindo a mãe, pelo contrário, estou contribuindo para que ela se sinta à vontade num ambiente que não é a sua casa, com suas bonecas ou carrinhos, seu cãozinho. Enfim...” Essa segurança é o pilar para se trabalhar os conteúdos que devem ser trabalhados e as crianças o fazem com muita vontade e capricho.
A criança não deve ser tratada como um adulto em miniatura e sim, como a criança que realmente ela é. Proporcionamos momentos de alegrias para as crianças, permitindo que elas aprendam brincando, tanto na sala de aula que é muito apertada e quente, quanto no pátio da escola, nas aulinhas de campo, nos piqueniques. A gente corre, pula, cai no chão, rola, ri. Em alguns momentos ninguém sabe quem é criança e quem é adulto, na verdade, acreditamos que todos somos crianças. Não somos nós que estamos ensinando, e sim, aprendendo a sermos de novo as crianças que se adormeceram em nós.
A pequena Jhulia, 2 anos e meio, começa a fazer a tarefinha de pinat, por exemplo, ela se cansa e diz:”tia, queio mama”, é impossível não arrumar a mamadeira para uma carinha tão “pidona”, até as cozinheiras se sensibilizam, o coordenador então nem se fala, por ser homem, ele quase se desmancha.
Não podemos confundir zelo e cuidado, com mimos. Em momento algum devemos esquecer que não somos seus pais, estamos ali com um propósito que é mediar a aprendizagem daqueles seres tão machucados, apesar de serem ainda crianças, pelo sistema que não oferece muitos recursos técnicos para a gente estar se aperfeiçoando em nosso trabalho. Contamos apenas com a disposição dos funcionários que se desdobram e todos se tornam educadores. Parece que cada um chama a responsabilidade para si e a desempenha com muita presteza.
No final do período, o transporte escolar começa a chegar e levá-los embora, estamos esgotadas, mas, posso garantir, já estamos com saudades do pitchuquinhos.
3. REFLEXÃO SOBRE O TRABALHO.
Diante do exposto acima, pela pesquisa realizada a respeito das idéias de pessoas que viram a educação com olhos críticos e buscaram apontar soluções, pessoas estas que procuram em meio a erros e teorias que não deram certo, cabe-me dizer que para cada época, existe um processo educacional diferente, claro e evidente que a educação caminha a passos tão lentos, que os pensamentos de Piagget (1896 - 1980), por exemplo, não está tão distante da nossa realidade.
Busquei conhecer o que pensou cada um deles, os pesquisados, a respeito da educação infantil. Notei muita semelhança nos métodos utilizados. Alguns considerando o ensino como apenas uma ferramenta para justificar o crescimento humano e sua maneira de pensar (Piagget), outros, mais preocupados com o que acontece no interior de cada um, a partir do nascimento (Vygotsky), que em alguns momentos, parecia-me que ouve uma guerra de opiniões a respeito do desenvolvimento do ser humano, cada uma querendo justificar alguma coisa. Esse legado, o resultado dessa guerra, veio engrandecer a magia do processo educacional. Na verdade, todos eles estavam certos em seus diagnósticos. Hoje nosso trabalho como futuras educadoras deve ser firmado nesse conhecimento que foi passado por estas pessoas. Nosso aprendizado precisa disso, ser pautado em algo coerente, pois, diante da mágica da tecnologia, não é fácil fazer um educação séria, sem permitir que a mídia, por exemplo, seja motivo de corrupção mental para nossas crianças. Sabemos muito bem agora, como se processa a aquisição do conhecimento e qual o nosso trabalho diante desse desafio. Cuidar e educar ao mesmo tempo, fazendo educação e uma educação voltada para a nossa realidade.
4. REFERÊNCIAS
http://www.centrorefeducacional.com.br/piaget.html
http://www.centrorefeducacional.com.br/decroly.html
http://www.centrorefeducacional.com.br/vygotsky.html
http://www.centrorefeducacional.com.br/freinet.html
BRASIL. REFERENCIAL CURRICULAR PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL. v. 1, Brasília: MEC/SEF, 1998.
DEMO, Pedro. Complexidade e aprendizagem: a dinâmica não linear do conhecimento. São Paulo: Atlas, 2002.
GARCIA, Regina Leite. Em defesa da educação infantil. Rio de Janeiro: DPLA, 2001.
KRAMER, S. A política do pré-escolar no Brasil: a arte do disfarce. 5. ed. São Paulo: Cortez, 1995.
PALHARES, S. M. Educação infantil pós-LDB: rumos e desafios. 2. ed. Florianópolis: UFSC, 2000.
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