quarta-feira, 17 de junho de 2009

o que é educação?

I. O QUE É EDUCAÇÃO?
Professor Zenildo Mendes. (pedagogo)
O vocábulo educação vem do latim ducere e significa guiar, conduzir, e o prefixo e quer dizer, para fora. Assim em significado etimológico, “EDUCAÇÃO” é a atividade de conduzir para fora.
Para Santo Agostinho, “Educar é penetrar na alma do outro, porém, Groome afirma que a educação não é uma abstração à margem da história e sim uma atividade humana e o que existe, na verdade, é apenas o que as pessoas fazem e querem fazer em seu nome.
A escola surge com o desenvolvimento do cristianismo na Antiga Europa para uma educação que salvaria almas, e isso perdurou até o final do século XIX quando Émile Durkheim começou a ligar educação e sociedade, a educação vira fato social, pois para ele há um consenso harmônico que mantêm o ambiente social.
A educação está em todos os lugares e no ensino de todos os saberes. Assim não existe modelo de educação, a escola não é o único lugar onde ela ocorre e nem muito menos o professor é seu único agente. Existem inúmeras educações e cada uma atende a sociedade em que ocorre, pois é a forma de reprodução dos saberes que compõe uma cultura, portanto, a educação de uma sociedade tem identidade própria. O ponto fraco da educação está nos seus agentes, pois, com consciência ou não, reproduzem ideologias que atendem a grupos isolados da sociedade. Aí se vê que a educação reflete a sociedade em que ocorre, em sociedades tribais ela é comunitária e igualitária, já em nossa sociedade capitalista: específica, isolada e desigual.
Mas pergunta-se saber este consenso, pois na verdade a educação não aplica sua idéia, a prática é bem diferente, há uma elite capitalista que controla a educação, entretanto, ela ocorre fora das paredes da escola, na comunidade, assim a dominação capitalista encontra resistência política. A única forma de reinventar a educação, como dizia Paulo Freire é trazê-la ao cotidiano do aluno, fazendo com que a vivência e as experiências do indivíduo façam parte efetiva da escola, e a educação será livre e comunitária.
II. A DINÂMICA DA APRENDIZAGEM
A aprendizagem é um processo de mudança de comportamento obtido através da experiência construída por fatores emocionais, neurológicos, relacionais e ambientais.
Aprender é o resultado da interação entre estruturas mentais e o meio ambiente. De acordo com a nova ênfase educacional, centrada na aprendizagem, o professor é co-autor do processo de aprendizagem dos alunos. Nesse enfoque, centrado na aprendizagem, o conhecimento é construído continuamente.
Quando a educação é construída pelo sujeito da aprendizagem, no cenário escolar prevalecem a resignficação dos sujeitos, novas coreografias, novas formas de comunicação e a construção de novas habilidades, caracterizando competências e atitudes significativas.
A educação como interatividade contempla tempo e espaços novos, diálogo, problematização e produção própria dos educandos. O professor exerce a sua habilidade de mediador das construções (Freire), e mediar é intervir para promover mudanças, como mediador, o docente passa a ser comunicador, colaborador e exerce a criatividade do seu papel do co-autor do processo de aprender.
Na relação desse novo encontro pedagógico, professores e alunos interagem usando a co-responsabilidade, a confiança, a dialogicidade fazendo a auto-avaliação de suas funções. Isso é fundamental, pois, nesse encontro, professores e alunos vão construindo novos modos de se praticar a educação. É necessário que o trabalho escolar seja competente para abdicar a cidadania tutelada, ultrapassar a cidadania assistida, para chegar à cidadania emancipada, que exige sujeitos capazes de fazerem história própria.
Os objetivos da aprendizagem são classificados em: domínio cognitivo (ligados a conhecimentos, informações ou capacidade intelectuais); domínio afetivo, (relacionados a sentimentos, emoções, gostos ou atitudes); domínio psicomotor (que ressaltam o uso e a coordenação dos músculos).
A educação vista sob o prisma da aprendizagem representa a vez e da voz, o resgate da vez e a oportunidade de ser levado em consideração. O conhecimento como cooperação, criatividade e criticidade, fomenta a liberdade e a coragem para transformar, sendo que o aprendiz se torna no sujeito ator como protagonista da sua aprendizagem. Porque nós estamos na educação formando o sujeito capaz de ter história própria, e não história copiada, reproduzida, na escola na sombra dos outros, parasitária. Uma história que permita ao sujeito participar da sociedade.

III. A APRENDIZAGEM NA VISÃO REVOLUCIONÁRIA DE PAULO FREIRE

Não é possível fazer uma reflexão sobre o que é a educação sem refletir sobre o próprio homem. O cão e a árvore também são inacabados, mas o homem se sabe inacabado por isso se educa. A educação é uma resposta da finitude da infinitude. A educação é possível para o homem, porque este é inacabado e sabe-se inacabado. Isto o leva A sua perfeição.
O homem deve ser sujeito de sua própria educação, ninguém educa ninguém, o homem como ser inacabado, está em constante busca com outros seres. A sabedoria parte da ignorância. Não há ignorantes absolutos. Se num grupo de camponeses conversamos sobre colheitas, devemos ficar atentos para a possibilidade de eles saberem muito mais do que nós. Devemos analisar diferentes grupos, pois não podemos julgar as pessoas como ignorantes, cada uma tem algo a nos ensinar, o que falta a essas pessoas é um saber sistematizado.
Com base no inacabamento, nasce o problema da esperança e da desesperança. Eu espero na medida em que começo a busca, pois não seria possível buscar sem esperança. Uma educação sem esperança não é educação. Aqui nos diz sobre a importância da esperança na educação, pois através dela haverá mudanças. Lembrando também a esperança na educação dos camponeses.
Sobre o homem, Paulo Freire afirma que este homem está no mundo e em relação com o mundo. Se apenas estivesse no mundo não haveria transcendência nem se objetivaria a si mesmo. O animal não é um ser de relações, mas de contatos. Está no mundo e não com o mundo. Aqui encontramos uma diferença entre o homem e o animal, pois o homem está no mundo e com o mundo tendo relações, enquanto o animal apenas está no mundo e tem contatos. Estes contatos são sensoriais na medida em que o animal não é capaz de refletir sobre as sensações oriundas dos seus sentidos. A primeira característica desta relação é de refletir sobre este mesmo ato. Reflexão do homem em face de realidade. A Segunda característica é a conseqüência resultante da criação e recriação que assemelha o homem a Deus. As relações do homem são também temporais e transcendentais.
Paulo Freire assiná-la também que a educação tem como elemento fundamental, como seu sujeito, o homem que busca, por meio dela, a superação de suas imperfeições, de seu saber relativo.
Freire comenta os diferentes aspectos que devem ser levados em cota no processo de alfabetização e conscientização de adultos. Relação íntima, dialética, com o contexto da sociedade onde se desenvolve este processo. A primeira característica, por exemplo, faz com que o homem , no caso o educando reflita sobre sua própria realidade e quando ele à compreende , é capaz de transformá-la .
Já a Segunda característica nos mostra a capacidade que o homem tem de criar e recriar que o assemelha a Deus. A educação deve estimular a opção e afirmar o homem como homem. Adaptar é acomodar, não transformar. Em todo homem existe um ímpeto criador, que nasce da inconclusão do homem. Cabe a educação desenvolver este ímpeto de criador, devemos dar oportunidades para que os educandos sejam eles mesmos, desenvolver neles uma consciência crítica que permite o homem transformar a realidade.

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